Pesquisadores testam biomaterial criado a partir da dentina para acelerar recuperação pós-cirurgia de coluna

Um grupo formado por médicos, dentistas e veterinários das universidades de Brasília (UnB), São Paulo (USP), Campinas (Unicamp) e da Faculdades Integradas UPIS está desenvolvendo um estudo inédito que, experimentalmente, provou ser capaz de reduzir para até dois meses o tempo de recuperação de uma cirurgia de coluna. Atualmente, a recuperação de pacientes com as técnicas e biomateriais disponíveis pode levar até um ano. 

O grupo desenvolveu um biomaterial chamado GFX-1, - sigla para Growth Factor X-1, ou fator de crescimento X-1, em tradução do inglês -, que é resultado da combinação de proteínas extraídas da dentina — tecido do dente — do próprio paciente associado a um processo de sequenciamento em laboratório em que são acrescidos componentes que induzem o crescimento, regenerando o osso de forma mais rápida após o enxerto em uma lesão. "Quando idealizamos esse GFX-1, apenas turbinamos, demos uma aditivada no biomaterial. Ele não tem efeito colateral. E provamos, experimentalmente, que ele realmente induz o crescimento ósseo muito mais rapidamente, formando um osso de qualidade, maduro e viável", detalha o cirurgião-dentista Vitório Campos, idealizador do projeto e chefe da equipe de estudo.

Os pesquisadores têm estudado o biomaterial ao longo dos últimos cinco anos. Na etapa mais recente, eles encerram a fase experimental enxertando o GFX-1 em suínos da mesma raça e gênero, para evitar vieses na pesquisa. Os 14 animais apresentaram resposta satisfatória à técnica cirúrgica e ao biomaterial.

A dentina já é utilizada na indução do crescimento ósseo em tratamentos odontológicos, como para levantamento do seio maxilar, em casos de desvio de nervos ou para facilitar implantes dentários. Contudo, a expectativa dos pesquisadores é de que o biomaterial criado a partir do dente possa ser aplicado em ossos longos fraturados, tais como fêmur e tíbia.

No momento, os pesquisadores preparam um artigo científico com os resultados dos testes concluídos em animais. O texto será submetido a revistas de pesquisa internacionais em breve. A equipe só depende da realização de um exame de microtomografia computadorizada mais preciso, que indicará a qualidade do osso formado nos suínos dos experimentos.

(*) Com informações do Correio Braziliense